CEP - Controle Estatístico do Processo

Introdução


O Controle estatístico do processo (CEP) é uma ferramenta que tem por finalidade desenvolver e aplicar métodos estatísticos como parte de nossa estratégia para prevenção de defeitos, melhoria da qualidade de produtos e serviços e redução de custos. A seguir  apresentamos alguns conceitos e definições importante.

Processo:


É a combinação de máquinas, métodos, material e mão-de-obra envolvidos na produção de um determinado produto ou serviço.

Controle:


É o conjunto de decisões que tem por objetivo a satisfação de determinados padrões ou especificações por parte dos produtos focados no cliente.

O CEP estabelece:


  1. - Informação permanente sobre o comportamento do processo;
  2. Utilização da informação para detectar e caracterizar as causas que geram instabilidade no processo;
  3. - Indicação de ações para corrigir e prevenir as causas de instabilidade;
  4. - Informações para melhoria contínua do processo.

Sistema de controle do processo


Quatro elementos destes sistemas são importantes para as discussões a seguir.

1. O Processo


Entendemos como processo a combinação de fornecedores, produtores, pessoas, equipamentos, materiais de entrada, métodos e meio ambiente que trabalham juntos para produzir o resultado (produto), e os clientes correspondem  aos elementos que utilizam o resultado (ver Figura 1.1).


Figura 1.1: Sistema de controle do processo.


2. Informações sobre o desempenho


Muita informação sobre o real desempenho do processo pode ser aprendida através de estudo do resultado (saída) do processo. A informação mais útil sobre o desempenho de um processo vem, entretanto, da compreensão do processo em si, e de sua variabilidade interna. Características do processo (como temperaturas, tempo de ciclos, taxas de alimentação, taxas de absenteísmo, rotatividade de pessoas, atrasos, ou número de interrupções) deveriam ser o alvo supremo de nossos reforços.

3. Ações sobre o processo


Uma ação sobre o processo é geralmente mais econômica quando realizada para prevenir que as características importantes (do processo ou do produto) variem muito em relação aos seus valores-alvo. Tal ação pode consistir em:


  • - Mudanças nas operações;
    - Treinamento para os operadores;
    - Mudanças nos materiais que entram;
    - Mudanças nos elementos mais básicos do processo;
    - Equipamento;
    - A comunicação entre as pessoas;

    O projeto do processo como um todo - que pode estar vulnerável à mudanças de temperatura ou umidade.

Os efeitos das ações deveriam ser monitorados para que uma análise e ação posterior pudesse ser tomada, se necessária.

4. Ações sobre o resultado


Uma ação sobre o resultado é frequentemente menos econômica quando se restringe a detecção e correção do produto fora da especificação, não indicando o fato gerador do problema no processo. Infelizmente, se o resultado atual não atinge consistentemente os requisitos exigidos pelo cliente, pode ser necessário classificar todos os produtos e refugar ou retrabalhar quaisquer itens não-conformes. Esta atitude deve ser mantida até que a ação corretiva necessária sobre o processo tenha sido tomada e verificada, ou até que as especificações do produto tenham sido alteradas. Na sequência, apresentamos as definições básicas do controle estatístico do processo. 

Definições


Variabilidade:
 É o conjunto de diferenças nas variáveis (diâmetros, pesos, densidades, etc.) ou atributos (cor, defeitos, etc.) presentes universalmente nos produtos e serviços resultantes de qualquer atividade. Podemos classificá-las em comuns ou aleatórias e especiais ou assinaláveis.

Tabela 1.1: Definições de causas comuns e especiais.

 ComunsEspeciais
DefiniçãoEfeito acumulativo de causas não controláveis, com pouca influência individualmente.Falhas ocasionais que ocorrem durante o processo, com grande influência individualmente
ExemplosVibrações,temperatura, umidade, falhas na sistemática do processo, dentre outras.Variações na matéria-prima, erros de operação, imprecisão no ajuste da máquina, desgastes de ferramentas, dentre outras.


Variabilidade do processo: Um processo está sob controle estatístico (estável) quando não existem causas especiais. O fato de um processo estar sob controle estatístico não implica que o mesmo está produzindo dentro de um nível de qualidade aceitável. O nível de qualidade de um processo é estudado via uma técnica denominada análise de capacidade/performance.

O objetivo é desenvolver uma estratégia de controle para o processo que nos permite separar eventos relacionados a causas especiais de eventos relacionados a causas comuns (falhas na sistemática do processo). Desta forma, para um dado processo, um gráfico de controle pode indicar a ocorrência de causas especiais de variação.


Figura 1.2: Processo previsível.




Figura 1.3: Processo não previsível.


Ações locais e ações gerenciais sobre o sistema


Há uma importante relação entre os dois tipos de variação que acabamos de discutir e os tipos de ações necessárias para reduzi-las, sendo:

Causa especial: requer uma ação local.

Causa comum: geralmente requer um ação sobre o sistema ou ação gerencial.

Pode ser errado, por exemplo, tomar uma ação local (ex. ajuste de uma máquina) quando uma ação gerencial sobre o sistema é necessária (ex. seleção de fornecedores que entreguem materiais de entrada compatíveis ao sistema). Entretanto, o trabalho em conjunto entre gerência e aquelas pessoas ligadas diretamente à operação é essencial para uma redução significativa das causas comuns de variação do processo.


O ciclo de melhoria e o controle do processo



Figura 1.4: O ciclo de melhoria e o controle do processo. 


1. Analisar o processo


Dentre as perguntas a serem respondidas a fim de alcançar um melhor conhecimento do processo, estão:

  • O que o processo deveria estar fazendo?
    • O que está sendo esperado de cada estágio do processo?
    • Quais são as definições operacionais das saídas em potencial?
  • O que pode estar errado?
    • O que pode variar neste processo?
    • O que já sabemos a respeito da variabilidade deste processo?
    • Que parâmetros são mais sensíveis à variação?
  • O que o processo está fazendo?
    • Este processo está gerando refugo ou resultados que requeiram retrabalhos?
    • Este processo produz um resultado que esteja num estado de controle estatístico?
    • O processo é capaz?
    • O processo é confiável?


Muitas técnicas discutidas de desenvolvimento de processos podem ser aplicadas para garantir um melhor entendimento do processo. Estas atividades incluem:


  • - Reuniões em grupo
  • - Consulta a pessoas que desenvolveram e operam o processo
  • - Revisão da história do processo
  • - Construção de uma planilha de FMEA


As cartas de controle desenvolvidas neste módulo são ferramentas poderosas que devem ser usadas durante todos os ciclos de melhoria do processo. Esses métodos estatísticos simples ajudam a distinguir as causas comuns e as causas especiais de variação do processo. Quando um estado de controle do processo é alcançado o nível atual da capacidade do processo pode ser avaliado.

2. Manter o controle do processo


Uma vez adquirida uma compreensão melhor do processo, devemos mantê-lo dentro de um nível apropriado de capacidade. Processos são dinâmicos e podem mudar, logo o desempenho do processo deve ser monitorado, para que medidas eficazes de prevenção contra mudanças indesejáveis possam ser executadas.

A mudança desejável deve também ser entendida e institucionalizada. Quando sinalizado que uma mudança no processo ocorreu, medidas rápidas e eficientes devem ser tomadas para isolar as causas e agir sobre elas.

3. Aperfeiçoar o processo


A melhoria do processo através da redução de variação, especificamente envolve a introdução (proposital) de mudanças dentro do processo, e a avaliação dos efeitos causados. O objetivo é uma melhor compreensão do processo, para que as causas comuns de variação possam ser reduzidas posteriormente. A intenção desta redução é a melhoria da qualidade ao menor custo.

Assim que novos parâmetros do processo tenham sido determinados, o ciclo volta ao estágio de Analisar o Processo. Uma vez que alterações foram introduzidas, a estabilidade do processo precisa ser reconfirmada. O processo continua então a se mover em torno do Ciclo de melhoria do processo.

E você, já aplica o CEP na sua empresa? 
Tem alguma informação para acrescentar? 

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